Em 1991 a Fiat lança o Tempra no Brasil, um carro de um segmento inédito para ela, a dos sedãs médio-grandes. Ele concorria com a dupla Volkswagen Santana/Ford Versailles, Chevrolet Monza e Vectra (algumas revistas chegaram a fazer testes comparativos com o Omega).
Ao contrário do que muitos pensam, o Tempra brasileiro só tem em comum com o europeu o exterior da carroceria (exceto a fixação dos espelhos retrovisores, o alojamento da placa na traseira, ausência do limpador traseiro opcional no sedã) e o nome. Por "baixo", ele possui uma plataforma baseada no Regata argentino.
Neste post, vamos contar a história da versão sedã brasileira.
Foto: Revista Carro
Seu interior e sua mecânica eram completamente diferentes do Tempra europeu. Aqui o Tempra só possuiu motores 2.0, carburados, injetados e turbo alimentados. Estes motores 2.0 foram usados no Fiat Regata argentino e diversos carros europeus do Grupo Fiat, como o Lancia Delta (inclusive o Delta campeão mundial de rali). Este motor é chamado de Bialbero Lampredi, projetado pelo engenheiro italiano Alfredo Lampredi.
Inicialmente, o Tempra foi disponibilizado em 2 versões: Prata e Ouro, ambos com o motor 2.0 carburado, 8 válvulas, duplo comando de válvulas e potência de 99 cv. Este motor é parente direto do motor utilizado no Alfa Romeo 2300 que foi fabricado no Brasil.
Este motor foi considerado fraco para o peso do carro (1250 kg). Ele fazia 0-100 km/h em 12,3 segundos.
O Tempra Ouro se diferenciava do Prata externamente pelos para-choques e espelhos na cor do veículo, adesivo preto fosco na coluna B das portas. Internamente, possuía apliques de madeira no painel. Os Prata mais básicos vinham com calotas ao invés das rodas de 4 raios.
Uma exclusividade do mercado brasileiro foi o Tempra 2 portas. Um belo carro, que veio na hora errada, pois na época o brasileiro estava perdendo o preconceito com carro de 4 portas (diziam que era coisa de táxi), logo esta versão de carroceria teve vendas aquém do esperado. Estima-se que foram fabricadas 2000 unidades.
Em 1993 o Tempra se torna o pioneiro nos motores multiválvulas (isto é, com mais de 2 válvulas por cilindro) no Brasil: é lançada a versão 2.0 16V, com injeção eletrônica multiponto que desenvolvia 127 cv, com velocidade máxima de 202 km/h e 0-100 km/h em 9,8 segundos. Com isso, o Tempra entrava no "Clube dos 200", inaugurado pelo Chevrolet Omega 3.0 (e 6 cilindros).

O Tempra 16V era equipado com freios a disco nas 4 rodas com ABS, alterações na suspensão com molas dianteiras mais firmes e estabilizadores mais espessos à frente e atrás. Nova relação deixava a direção 10% mais rápida. Era oferecido somente na versão Ouro e se diferenciava da Ouro 8V pelas rodas de alumínio polidas, farto equipamento de série: bancos dianteiros com ajuste elétrico, revestimento em couro, retrovisor interno fotocrômico de série, espelhos externos azulados (antiofuscantes), rádio/toca-fitas Alpine com painel frontal destacável (para inibir o furto) e, na versão de duas portas, janelas basculantes com comando elétrico.
Em 1995 o Tempra ganhava injeção eletrônica monoponto nas versões 8V com 105 cv, nova grade frontal e painel arredondado.
Ainda em 1995, o Tempra ganha sua versão mais "temperada": a Turbo. Equipado com motor 2.0 8V com injeção multiponto e turbocompressor Garret T3 com 0,8 bar de pressão e intercooler, desenvolvia a potência de 165 cv e 0-100 em 8.2 segundos, chegando à velocidade máxima de 220 km/h.
O Tempra Turbo se diferenciava dos demais pelas rodas com 7 raios, aerofólio traseiro, saias laterais, ausência de borrachões laterais e o logotipo "Turbo" em vermelho na grade frontal. Era oferecido somente na carroceria cupê. Era equipado com um manômetro para o turbo no meio do painel de instrumentos.
Foto: Alexandre Badolato
A versão Prata passou a ser denominada "i.e", e as Ouro 8V e 16V foram extintas, sendo chamadas de 16V somente (obviamente, somente motor 2.0 16V).
A Fiat lançou pouco tempo depois a versão Stile, que era a versão 4 portas do Tempra Turbo. Externamente, ele não possuía o aerofólio traseiro e o logotipo Turbo na grade e rodas de 5 raios. O motor era exatamente o mesmo do cupê Turbo.
Em 1996, o Tempra passa por pequenas mudanças nas lanternas dianteiras e traseiras: na dianteira, o conjunto ótico ficou estreito e na traseira o elemento central com as luzes de seta e ré ficou arredondado.
Com isto, a versão de 2 portas é tirada de produção, porém a versão turbinada muda de nome para Turbo Stile. Havia uma cor de interior muito rara, a bege. Uma cor até então rara de se encontrar em carros da época. Tinha ainda um sistema que abaixava os vidros alguns centímetros ao fechar as portas para aliviar a pressão interna e fechar a porta com menos esforço.
Foto: Alexandre Badolato
Posteriormente, a versão de entrada "i.e." virou a SX e a 16V se tornou a HLX. A SX agora mais simplificada, vindo sem conta-giros e com painéis de portas do Tipo, para economizar custos. Também não possuía relógio digital e o check-control. O motor 16V era exclusivo da versão HLX.

Painel da versão SX. Foto: Cleber Fuzetto
Quadro de instrumentos da versão SX.
Na Itália, em 1996, a Fiat apresentou o Marea, baseado na dupla Brava/Bravo apresentados em 1995 e começavam os rumores que ele seria fabricado no Brasil, decretando a morte do Tempra.
Porém em 1998, a Fiat decidiu dar uma sobrevida ao Tempra e faz uma reestilização com design dos para-choques inspirados nos do Palio. A versão Turbo Stile é descontinuada e só restam duas versões: 8V (denominação oficial) e 16V. O nível de acabamento das duas versões é o mesmo. Havia uma versão para frotistas chamada de City. Era o início do fim.
Em maio de 1998, a Fiat lança o Marea, com motor 2.0 20V com 127 cv (nas versões ELX e HLX). A versão mais simples do Marea, a SX (2.0 20V), foi lançada no fim do ano de 1998, decretando em 30 de novembro de 1998 o fim definitivo do Tempra, após 204.795 unidades produzidas.
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Notícia publicada no jornal Correio do Estado, de Campo Grande, MS, edição do dia 5/4/1999. Doação do Rubens Mochi. Publicado no Facebook do |
E assim, o tempo de Tempra chegou ao fim...
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