sábado, 18 de março de 2023

O motor

Projetado pelo ex-engenheiro da Ferrari Aurelio Lampredi, o Fiat "Bialbero"(duplo comando) ou Lampredi Bialbero foi um avançado motor automotivo de quatro cilindros em linha produzido de 1966 a 2000 como um motor Fiat/Lancia até ser substituído pela "família B" de motores Pratola Serra. 

O motor foi produzido em um grande número de cilindradas, variando de 1,3 a 2,0 L (1.297 a 1.995 cc) e foi usado em carros Fiat, Lancia, Alfa Romeo, SEAT e Morgan. O motor Fiat "Bialbero" tem sido amplamente utilizado no automobilismo e tem sido o motor de maior sucesso na história do Campeonato Mundial de Rally. Fiat e Lancia ganharam um total de dez Campeonatos Mundiais de Rally para Fabricantes usando motores baseados no motor Lampredi Bialbero.


O motor usa o bloco da unidade da série OHV 124 encontrado pela primeira vez no Fiat 124 com algumas modificações para aceitar a transmissão por correia para as árvores de cames. A própria cabeça é feita em três peças, uma carregando a câmara de combustão e as válvulas e uma fundição separada para cada árvore de cames em mancais do tipo túnel. As válvulas tinham um ângulo incluído de 65 graus. 

O motor apresentava um novo método revolucionário para ajustar a folga da válvula. Normalmente naquela época em motores DOHC como Alfa Romeo ou Jaguar, pequenos calços eram colocados na haste da válvula dentro dos tuchos da caçamba, sendo necessária a remoção das árvores de cames para ter acesso a esses calços para ajustar a folga da válvula, tornando o trabalho demorado e trabalhos de manutenção muito dispendiosos. O projeto de Lampredi colocou os calços no topo dos tuchos onde eles poderiam ser removidos com a árvore de cames in situ após os tuchos serem pressionados com uma ferramenta especial. Este projeto foi patenteado para a Fiat e foi usado nos motores do 128 e 130, e até mesmo o motor Ferrari/Fiat Dino V6 foi convertido para este sistema.

A Fiat foi pioneira no desenvolvimento de motores durante o período, usando eixos de comando de válvulas acionados por correia e cabeçotes de liga de alumínio. Os primeiros motores Fiat Twin Cam eram na verdade projetos da O.S.C.A.

O motor twin cam de Lampredi foi visto pela primeira vez no Fiat 124 coupé no final de 1966, mas mais tarde foi disponibilizado em um grande número de carros:


Alfa Romeo
  • 1988-1991 Alfa Romeo 164 2.0 Turbo 8V
  • 1992-1997 Alfa Romeo 155 Q4
Fiat
  • 1966-1974 124 Sport coupé
  • 1966-1985 124 Sport Spider
  • 1970-1974 124 Special T
  • 1972-1976 124 Abarth Rally
  • 1967-1972 125
  • 1972-1981 132
  • 1981-1985 Argenta
  • 1977-1983 131
  • 1977-1980 131 Abarth
  • 1982-1988 Ritmo
  • 1984-1989 Ritmo 105TC, 125TC, 130TC
  • 1983-1990 Regata
  • 1985-1996 Croma
  • 1988-1995 Tipo
  • 1990-1999 Tempra
  • 1994-1997 Coupé
FSO
  • 1973-1975 Polski Fiat 125p Monte Carlo
  • 1973-1977 Polski Fiat 125p Akropolis
  • 1978-1989 FSO Polonez
Lancia
  • 1972-1984 Beta
  • 1973-1984 Beta Coupé/HPE/Spider
  • 1975-1982 Beta Montecarlo
  • 1976-1977 Beta Scorpion
  • 1982-1983 Rally 037
  • 1980-1984 Trevi
  • 1983-1993 Delta
  • 1988-1993 Delta Integrale
  • 1982-1989 Prisma
  • 1984-1994 Thema
  • 1989-1997 Dedra
  • 1993-1999 Delta mk2
  • 1994-1998 Kappa
  • 1997-1998 Kappa Coupe
Morgan
  • 1982-1986 Morgan Plus 4
O motor Fiat Twin Cam tem sido amplamente utilizado no automobilismo e tem sido o motor de maior sucesso na história do Campeonato Mundial de Rally. O Campeonato Mundial de Rali para Fabricantes foi ganho pela Fiat e Lancia, usando motores baseados no motor Lampredi Twin Cam, por um total de 10 anos.

A versão de quatro válvulas fez sua primeira aparição na versão de competição do Grupo 4 do Fiat 124 Spider Abarth, onde tinha 1,8 litros. Os regulamentos do Grupo 4 da época permitiam o uso de uma cabeça de cilindro de design "livre". Este motor ainda usava um design de cabeça de cilindro de três peças com um ângulo de válvula incluído de 46 graus.

Nos anos posteriores, os regulamentos do automobilismo foram alterados para que o uso de quatro cabeçotes de válvula só fosse possível quando os carros homologados tivessem quatro cabeçotes de válvula. Portanto, a série de homologação do Fiat 131 Rally Abarth veio com uma versão de dois litros do motor de quatro válvulas.

Esses motores foram posteriormente usados no Lancia 037 de motor central, onde foram superalimentados e eventualmente ampliados para 2,1 litros.

Além dos títulos no Campeonato Mundial de Rally, o Fiat Twin Cam equipou o Lancia Beta Montecarlo turbo, que conquistou o Campeonato Mundial de Carros Esportivos por duas temporadas consecutivas em 1980-1981.

O Fiat Twin Cam também foi usado em hot rods e kits de carros, com um kit de reposição para trocar um no Morris Minor.

Fiat 124 Abarth


Fiat Coupé

Fiat Croma


FSO Polonez

Lancia 037 Stradale

Lancia Delta Evo

Morgan Plus 4

Morgan Plus 4




sábado, 25 de fevereiro de 2023

O Tempra cargueiro

Como é comum na Europa e Ásua, hatches e peruas possuem uma versão "van". Aqui no Brasil também tivemos essas pequenas "vans", como o VW Gol Furgão, Fiat 147 Furgão e Fiat Uno Furgão, que eram versões sem os bancos traseiros e com vidros pintados ou com "lata" no lugar deles.

Na Fiat, as peruas cargueiras recebiam o nome de Marengo, numa "dinastia" que nasceu no Fiat 131 e passou para Regatta, Tempra e Marea. A versão van da perua Stilo MultiWagon quebrou a tradição do nome Marengo.

O Tipo não teve versão van na 1a geração, somente na 2a.

Como nosso foco é o Tempra, vamos às fotos da Tempra Marengo. Diferente da SW comum, ela possui um piso plano no lugar dos bancos traseiros e vidros laterais e das portas traseiras escurecidos. Havia 2 opções de motores: 1.9 diesel aspirado e 1.9 diesel com turbo.










Marengo turbodiesel

Marengo aspirada

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Tempra Hörmann

Uma curiosidade rápida, um kit de personalização do Tempra feita pela empresa alemã de tuning Hörmann. Havia também kits da Hörmann para o Fiat Tipo.





sábado, 7 de agosto de 2021

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Tempra nas Mil Milhas

Em 1997, a tradicional prova do automobilismo brasileiro foi disputada no autódromo Nelson Piquet, em Brasília, e na época o próprio Nelson Piquet era administrador do autódromo e queria fortalecer o nosso automobilismo em várias frentes.

Com isso, ele deu inicio à negociações para trazer 2 provas da TC 2000 para o "seu" autódromo e foi feita uma demonstração (isto é, o carro não foi inscrito na corrida) com o Fiat Tempra do piloto Miguel Angel Guerra durante a Mil Milhas de 1997, que fora vencida por Piquet, Steven Soper e Johnny Cecotto com um McLaren F1 GTR



CRÉDITOS: http://blogdamilmilhas.blogspot.com/

domingo, 18 de julho de 2021

TC 2000

Já que aqui no Brasil o Tempra não seguiu carreira nas pistas, na nossa vizinha Argentina ele conseguiu correr.

O Tempra corria na TC 2000 (Turismo Carretera 2000, apelidada pelos argentinos de "La Máxima"). É uma categoria de turismo multimarcas, a mais tradicional da Argentina, tendo sua 1a prova ocorrendo em 1979 e com o apoio das grandes montadoras (Fiat, Ford, Chevrolet, Honda, Toyota, Volkswagen, Peugeot e Renault).

Correram na La Máxima "velhos" conhecidos dos brasileiros como Fiat Marea e Stilo, Ford Escort, Chevrolet Vectra, Honda Civic, Toyota Corolla, Peugeot 405, Renault 19, Volkswagen Pointer e Polo. 
Também teve participação de Chrysler Neon, Chevrolet Kadett, Ford Focus e Mondeo, Volkswagen Bora,  Renault Mégane, Peugeot 307, etc

Correram diversos modelos que nunca tivemos aqui como Renault Fuego e Ford Sierra, pro exemplo.

Mas vamos ao Tempra. Não consegui muitos detalhes sobre os Tempra da TC 2000, mas apresento algumas fotos de Tempras que correram por lá:












quinta-feira, 15 de julho de 2021

Fórmula Tempra

A Fiat na década de 90 criou a Fórmula Uno, uma categoria monomodelo e barata, que logo fez sucesso entre os aficionados (endinheirados) por corridas. Os carros eram todos iguais e com motor 1.6.

Em 1994, a Fiat lançou o Uno Turbo e Tempra Turbo e demonstrou interesse na criação da Fórmula Tempra, e a equipe Greco Competições (responsável pela preparação dos Uno) chegou a preparar um Tempra cupê para testes.

A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) vetou a ideia da Fiat, pois a Fórmula Tempra iria ser "danosa ao automobilismo nacional" por criar concorrência com a Stock-Car (na época uma categoria monomarca, com os Chevrolet Omega). 
Restou à Fiat então transformar a categoria "Graduados A" da Fórmula Uno na classe Turbo e a categoria "Graduados B" em classe Aspirado.

Uma pena. Daí poderia ter nascido uma Stock-Car multimarcas (como é hoje em dia), com Tempra e Omega disputando.

O motor do Tempra estima-se em 200cv e 26 kgfm de torque, usando o câmbio de 5 marchas "de rua", como velocidade máxima em torno de 230 km/h.


Crédito: www.instagram.com/mhl.antigosfiat


CRÉDITOS

https://www.instagram.com/rocketcar.s/
https://www.instagram.com/fiats_brasil/
https://gptotal.com.br/micos-brasileiros-iii/